segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quando a única opção é viver!!!

Boa noite J

Fiquei uns dias sem escrever, mas estou de volta!!! Rsrsrs...!!!

O feriado foi muito bom e hoje voltei 100% à rotina! Inclusive voltei aos estudos também...nada como colocar essa cabecinha para pensar.

Voltando a minha história...

Aproveitei muito muito muito do dia 4 de abril até o dia 19 de maio de 2011. Fiz muitas coisas que queria fazer e principalmente comi tudo o que eu tinha vontade!!!

Nesse meio tempo realizei alguns exames pré-operatórios, mas minha paciência já estava no limite. Hoje estava conversando com uma amiga queridíssima do trabalho e ela citou algo que eu ainda não tinha parado para pensar. Ela disse que admira minha obediência.

Obediência?! Sim...é uma obediência comigo mesma! Como ela está acompanhando todos os episódios dessa difícil jornada, pôde observar que por mais que a caminhada seja dura em momento algum eu virei às costas ou bati o pé no chão. Sempre respiro fundo, penso que poderia ser pior, penso na vida que eu tenho pela frente e quero viver e vou me empurrando.

Sempre tem alguém que me pergunta como eu consegui ou como eu tive coragem de alguma coisa, mas a resposta é simples! Eu não tinha outra opção....eu não tenho outra opção! Se me mandassem escolher entre a agulha no peito ou um sorvete de chocolate, eu escolheria o sorvete! Mas ninguém me deu opção, então eu tenho mais é que agradecer A MINHA OPÇÃO! E a minha opção é viver!!!!
E sabem de uma coisa?! Nós não podemos nem imaginar o limite que o nosso corpo tem...é surpreendente!

Sexta-feira 13...de maio!!! Fui ao médico com o meu querido e mais do que especial PAI de todas as horas levar os exames e passar pela última consulta antes da operação.

O médico abriu os diversos envelopes...olhou, leu, virou, guardou, pegou outro...naquele silêncio desesperador e angustiante. Eles sempre fazem isso...me dá vontade de pegar pelo colarinho e gritar: EAI?! DÁ PARA FALAR LOGO?! OU VAI FICAR FAZENDO SUSPENSE!? Rs...nada disso Bruna! Paciência...paciência...paciência.

Até que no meio do silêncio absoluto ele disse que queria me examinar. Fui para a salinha ao lado, ele examinou, voltamos e cada um sentou no seu respectivo lugar.

Tenho certeza que ele é um médico excepcional e sei também que os profissionais da saúde não devem transmitir sentimentos, mas acho que naquele momento a emoção falou mais alto....aliás, GRITOU, BERROU, ESPERNIOU.

Juro que quando olhei para os olhos dele, sabia que alguma coisa não havia saído como planejada. E eu estava certa...naquele momento perdi a esperança que sempre encontrava naqueles olhos.
Sinto que foi uma mistura de raiva com tristeza.

Desde o começo ele sempre me tratou com muito carinho, acho que por que após taaantos anos de profissão, sou a paciente mais nova que ele já teve, concorrendo com outros de mais de 40, 50 anos! Os considerados “jovens” para tal doença. E eu era o que?! Um bebê.

E ele me disse: ”Bruna, não podemos saber o por que, mas seu tratamento de 25 sessões de radioterapia e quimioterapia não diminuiu o tumor.”

Aquela notícia foi ruim.
Foi muito ruim.
Foi péssima.

Eu tinha certeza que aquela ferida tinha diminuído, diminuído e tinha sumido! Eu podia sentir...não estava mais doente!!! Estava tão feliz...

A ferida TINHA que diminuir!!! Devido a localização muito baixa no reto, se não ficasse beeem pequenininha, na hora da cirurgia não ia dar para costurar as duas “emendas” e aí...as minhas chances eram maiores de ter do que de não ter que usar a colostomia – bolsinha, para sempre.

Sempre?! Sim, sempre!

Fui para casa mais uma vez descontando toda a minha revolta no meu pai, me tranquei no quarto e chorei! Chorei, chorei, chorei...

Quando você houve de um médico que terá que usar uma bolsinha, pendurada na barriga, com 20 anos até...para sempre, o que vem na sua cabeça?!

Pensei em tudo! Tudo mesmo...minha formatura, minha gravidez (aliás quando ele deu a notícia, a única coisa que eu perguntei foi em relação a isso e ele disse que eu poderia sim engravidar com a bolsinha, mas teria que fazer um acompanhamento especial). Pensei no momento em que eu fosse brincar com os meus filhos no chão...e na piscina!? Pensei até nos meus netos...para SEMPRE é muita coisa!

Nesse dia meu coração doeu demais. Doeu mesmo.

Eu tinha sofrido muito naquele tratamento para ele simplesmente ter sido...ineficaz! Aliás, já tinha aumentado mais 0,5 cm.

O espaço entre o final do tecido e o tumor era insignificante...

Mas de tristeza ninguém morre!!! Como eu sempre digo para me consolar, poderia ser pior. Não precisava rolar no chão com eles...o amor que tenho para dar aos meus filhotes já é o suficiente! Podemos até inventar outras brincadeiras.

Durante a semana mais longa da minha vida, consegui aceitar essa notícia um pouquinho, bem pouquinho.

Então parei de achar que era uma triste opção e comecei a pensar que era a minha única chance de viver.  Ufa!!! Ainda bem que existe a bolsinha =D

Difícil pensar assim né!? Muito difícil.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Devia ter me importado menos com problemas pequenos..."

Estou na minha primeira viagem após a cirurgia para um dos lugares que eu mais gosto de ir! Aqui tem cheiro de terra molhada, muitas árvores, um lago, muitos animais fazendo os mais diversos barulhos, pessoas queridas e um sol maravilhoso!
Logo quando cheguei, comentei com o meu namorado que a última vez que estive aqui foi para comemorar meu último final de semana antes da operação! E agora voltei...mas dessa vez, curada! Quanta alegria!!! =D
Essa noite tive um sonho muito estranho. Sonhei que me encontrei com 10 anos e eu me fazia várias perguntas e me olhava pequena pensando como eu faria para mudar esse destino. Acho que a minha vontade era voltar atrás e tomar outras decisões...será que assim eu poderia me livrar do câncer!?
Isso me lembra muito uma coisa que a minha avó sempre fala...que se ela pudesse voltar no tempo, teria feito muita coisa diferente em relação as pequenas coisas que ela se importava e não se importa mais. E eu sempre falo a mesma coisa: você só pensa assim, por que agiu como agiu e com isso aprendeu que não valeu à pena. Se você tivesse feito diferente, não pensaria assim agora.
Será que eu me expressei bem?! Assim, eu acho que por mais que nós pudéssemos voltar no tempo e mudar nosso agir e pensar, não teríamos o que mudar! Por que só adquirimos esse arrependimento quando agimos e erramos. É assim que aprendemos e é assim que adquirimos SABEDORIA.
Tem uma música dos Titãs que eu acho que em algum momento da vida, se encaixará perfeitamente para todas as pessoas.
“Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído?
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...”
Acredito que a maioria das pessoas só param para dar o verdadeiro valor que a vida tem quando estão prestes a perde-la ou quando levam um susto muito grande. Esse é um triste defeito que nós, seres humanos, temos.
Mas eu tive uma chance única e vou aproveitá-la todos os segundos enquanto viver!!! Com certeza, não há alegria maior do que acordar com saúde e poder desfrutar das melhores coisas da vida que são tão automáticas que nós não valoramos até o momento em que passamos a fazê-las com dificuldades.
Ontem falei uma coisa muito boba que todos riram, mas que me fez pensar um pouco! É tão bom poder dar um gole de água...um golão!!! Daqueles que tomamos metade da garrafa, não é!? Agora imaginem os cachorros que ficam “lambendo” o potinho de água...nunca tiveram esse prazer! Coitadinhos...
Rs...!!! Foi uma coisa muito boba, mas me fez dar mais valor aos meu golões de água!!!
E assim eu vou passando o meu feriado em meio à natureza...analisando as pequenas coisas da vida que me fazem muito feliz pelo simples fato de estar vivendo!!! Tá bom ou quer mais!?

terça-feira, 21 de junho de 2011

A esperança no brilho das estrelas do Sul!

Lembro-me que as últimas 03 semanas de tratamento foram sofridas.
Eu sempre fui branquinha, mas nessa época eu estava pálida, com cara de doente. Sabe quando você se olha no espelho e não consegue ver em nenhum lugar um pedaçinho de você mesmo que te agrade!? Eu estava assim! E por dentro então, nem se fale.
Tinha enjôo todos os dias, sem parar! Aquela sensação de não saber o que fazer...tomava água, comia uma fruta, um pão, uma comida, um doce, e nada melhorava! Todos os dias ia almoçar na casa da minha avó e sempre precisava deitar um pouco por que não tinha condições de voltar para o trabalho.
Já estava me empurrando para não entregar os pontos! Depois do trabalho ia para a radio que tinha um cheiro...indescritível! Meu pai jurava que era um cheiro bom, de limpeza, mas eu entrava lá e ficava com o estomago embrulhado.
Quando acabava, pegava aquele trânsito das 6 horas da tarde para ir até a faculdade! Chegava lá e já estava exausta... tiveram dias que eu achei que fosse desmaiar, mas não queria desistir...estava na contagem regressiva.
Mas poderia ser pior, sempre pode! Tive tudo isso, sofri muito...só eu sei o quanto! Mas sempre que me perguntavam eu falava que estava tudo bem, para que reclamar!? Imagine se meu cabelo tivesse caído!? Acho que seria muito mais triste.
 Todos os dias quando entrava na máquina da radio, mentalizava minha feridinha diminuindo, diminuindo, diminuindo,....até que ela sumisse!
Nunca vou me esquecer do último dia!!!
Eu saí da clínica da quimio, que era a mais sofrida para mim, chorando! Mas eu chorei taaaanto, mas taaaanto, que descarreguei toda minha aflição naquele momento.
Já quando saí da radio, coloquei uma música no último volume e comecei a dançar sozinha no carro!!! Estava radiante...muito muito feliz =D Sensação de missão cumprida e sabia que aquela doença não estava mais no meu corpo. Não poderia estar!!! Eu queria estar curada.
Então durante 05 semanas fiquei livre de médicos e exames!!! Era o tempo que meu corpo precisava para se recuperar para a cirurgia.
Nossa!!!
Eu aproveitei MUUUUUITO!!!! Rsrsrs...mas de uma forma estranha! Cada dia que passava, parecia que era menos um nos meus dias de alegria...parecia uma contagem regressiva para forca.
De qualquer forma, eu me diverti muito nesses dias! Fiz uma viagem maravilhosa, com pessoas incríveis para o Sul do Brasil!!! Me emocionei todos os dias dessa aventura.
Lá o céu é maravilhoso! Lembro-me de uma noite, após um passeio inesquecível de barco, olhar para as estrelas maravilhosas que brilhavam e iluminavam a rua e refletiam nos meus olhos me dando a sensação de que tudo ia dar certo e que eu já estava praticamente curada!
Voltei para São Paulo totalmente renovada e confiante. Sentia que aquele tratamento de choque tinha eliminado a minha feridinha...agora era só operar para tirar qualquer “rastro” e pronto...de volta à vida de sempre que eu sentia tantas saudades!
Mas foi aí que eu me enganei!
Tinha interpretado mal as estrelas...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ultrapassando todos os limites!

Boa noite!!!

Hoje estou muito feliz :) .... Me dei alta e fui trabalhar!!! Nada como voltar a rotina com pessoas tão queridas e especiais! Talvez eu tenha alguns probleminhas a mais do que a maioria, mas tem duas coisas que ninguém dá sorte e eu dei: chefe e sogra!!! Adoro os meus chefes e sou fã da minha sogra...sorte dos meus filhos!!!

Voltando a minha história...

O adocica me deu dor de cabeça!!! Nos primeiros dias percebemos que o medicamento não diminuia na garrafinha, então fizemos algumas adaptaçōes mas não adiantou. Até que no oitavo dia de tratamento eu acordei na casa do meu namorado, onde passei boa parte desses 25 dias, e notei que após a nossa última tentativa o aparelho não estava funcionando.

Minha paciência já estava prestes a acabar, mas como tudo pode sempre piorar, quando nós descemos para pegar o meu carro que estava na rua o vidro dianteiro estava quebrado e o step não estava mais lá!!! NOSSA, eu fiquei uma fera! Rs....!!!

Chegando na clínica ainda tive que ouvir: Nossa...mas esse aparelho nunca deu problema com nenhum paciente....e olha que foram muitos ein?!

A minha vontade era de gritar: Mas por acaso eu pareço qualquer um??? Ninguém teve esse câncer com 20 anos, ninguém produziu 48 óvulos, ninguém ficou com quase 3 litros de água no ovário, ninguém teve problema com o adocica, mas eu tive tudo isso, ok? Agora tira essa porcaria de pochete de mim e me dá logo esse remédio na veia!!!!!!!!

UFA! A vontade era de falar tudo isso beeeem alto para não ter mais que ouvir que ninguém nunca teve isso e aquilo...mas eu respirei fundo e disse que não queria mais o adocica!

Então desde esse dia passei a ficar de segunda à sexta com uma agulha gigante no porth-o-cath onde diarimente era injetado o remédio. E com isso vieram os efeitos colaterais...

Sobre o meu desabafo, posso dizer que ele é muito sincero! Ouvi inúmeras vezes que o que estava acontecendo comigo nunca tinha acontecido com ninguém, mas eu já sabia que nada estava sendo normal...e eles faziam eu me sentir pior ainda.

Sei que não era a intenção, mas...não ajudava muito! Isso por que eu ainda não poderia imaginar a próxima notícia que ia me derrubar do chão e acabar com qualquer esperança que eu ainda pudesse ter...

domingo, 19 de junho de 2011

Uma super-mulher de pochete!

Agora eu era uma mulher de pochete!!!

Acordei no dia seguinte e com todo o cuidado do mundo fui tomar meu primeiro banho com o adocica. Deu um pouco de trabalho mas tudo bem, eu consegui! Lembro-me que fui até o quarto do meu pai e ele me perguntou se eu achava apropriada a roupa que estava usando: uma saia, um terninho, salto alto e umas pulseiras que faziam aquele barulho bem irritante...e eu respondi: Lógico que sim! Por acaso eu deveria estar vestida de mulher pochete?

Ela estava lá na minha cintura, mas não fazia parte de mim!

Eu acho que a parte mais chata do meu dia, não era o banho ou dormir com aquele aparelho, nem ir para o trabalho e faculdade de pochete, mas sim ir para a radioterapia.

Todos os dias quando eu chegava na clínica as pessoas ficavam me olhando. Não era coisa da minha cabeça, era real. A sala de espera tinha algumas cadeiras e uma televisão, aí eu ficava assintindo tv e quando olhava para os lados sempre tinha alguém me olhando...aquilo me deixava muito incomodada.

Até que um dia uma mulher me olhou tanto que eu falei "Oi" para ela, e começamos a conversar. A história dela era muito triste mas já estava no final do tratamento!!!

Acho que eu precisava conversar com alguém que estava naquele ambiente...era uma forma de aceitar verdadeiramente aquela situação! Sinceramente, eu estava levando uma vida normal e não queria parar e encarar a doença! Eu fingia que não era comigo...mas uma hora precisaria me olhar no espelho e dizer: Eu tenho um câncer dentro de mim e preciso me cuidar.

E foi nesse dia que eu me permiti precisar de cuidados! Me permiti deixar a Bruna Super-Mulher de lado e passei a ser a Bruna "temporariamente em tratamento"!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Adocica meu amor....adocica!!!!

Agora voltando para a minha história...
Eu estava 100% recuperada da retirada dos óvulos e da cirurgia e já tinha feito todos os exames e preparativos para iniciar o tratamento. Era o momento de começar a guerra dentro de mim.
 Todos os meus soldadinhos do bem estavam devidamente armados para destruírem aos poucos, o tamanho do tumor, pois como estava bem no finalzinho do reto, precisava diminuir muito para que na cirurgia o médico conseguisse costurar o intestino no ânus. Caso contrário, não teria espaço e a única solução seria usar a “bolsinha” para sempre.
Então meus dias seriam assim: logo pela manhã eu iria à clínica de radioterapia e depois para o trabalho. No final da tarde ia para a faculdade e depois para casa, tudo isso com o aparelho da quimio pendurado na cintura e os efeitos do tratamento!
Todo mundo queria que eu parasse de trabalhar e alguns até me sugeriram trancar a faculdade. Mas eu NUNCA faria tal coisa!!! Imagina passar o dia em casa, sentada no sofá, com uma agulha no peito ligada num aparelho, pensando besteiras e reclamando da vida!? AHHHH...NÃO MESMO!
Minha vida não ia parar por causa disso! Só precisava cuidar um pouco mais de mim...!
Dia 21 de fevereiro de 2011 fui com o meu pai até a clínica do meu oncologista onde eu faria a quimioterapia. Chegando lá, eles me explicaram como o aparelho ia funcionar: parecia uma garrafa d’água de 500 ml que ficava dentro de uma capa preta, pois o calor do sol podia danificar o medicamento dentro deste aparelho transparente e através da pressão que ele continha, o remédio era infundido em doses pequenas durante todo o dia.
Deste aparelho saia um fio como aqueles que ligam o soro à veia e era conectado em mim através de uma agulha super grossa que ficava no port-o-cath (que vocês já sabem o que é...rs!). No meio desse fio tinha um aparelhinho que servia para filtrar as bolhas de ar evitando que entrassem no meu organismo.
Bom, eles me explicaram tudo e eu saí de lá um pouco abalada! Aquilo pesava bastante, tinha que ficar preso à minha cintura como uma pochete e na hora do banho não podia molhar nem a agulha no peito, nem o aparelho que filtrava as bolhas de ar, muito menos o aparelho em si. OK!!! Vamos para a radio agora...
Só para que vocês entendam existem diversos tipos de quimioterapia (que é a medicação), no meu caso a quimio tinha a função de potencializar o efeito da radio que ia “queimar” a lesão até que ela sumisse ou ficasse bem pequena. Então uma dependia da outra.
Lá na radio fui encaminhada à sala de espera até que chamaram o meu nome. Eu entrei, deitei no aparelho e comecei a rezar! Foi rapidinho...uns 5 minutos. Elas pintaram a minha cintura e bumbum com as marcações do laser, ou seja, daquele dia em diante eu estava vivendo para destruir aquela doença. Eram marcas no corpo, aparelhos ligados, agulha no peito...sem contar os efeitos colaterais. Não tinha como esquecer nem por um minuto que eu estava doente.
Mas sempre dava para fazer uma piadinha!!! O meu aparelho tinha até nome...era o adocica!!! Rsrsrsrs....!!! Inventado por uma das pessoas que mais esteve ao meu lado, e ainda está, com base naquela propaganda de cerveja que um cara chega de sunga de crochê com pochete dançando: Adocica meu amor...adocica!!!! hahahahah Valeu Sogra B.B.!!!

Aprendendo com a VIDA!

Vou dividir com vocês a minha felicidade: 08 dias, mais de 3 mil acessos dos seguintes países: Brasil, E.U.A., Canadá, Chile, Argentina, Reino Unido, Áustria, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Holanda, Austrália, Emirados Árabes!!! Tá bom?! Rs...Obrigada a todos que estão acompanhando a minha história, espero que toda essa experiência não tenha sido em vão.
Sei a mudança que essa doença trouxe para a minha vida e espero que ajude muitas pessoas a enxergarem as dificuldades com outros olhos. Nunca fui a pessoa mais calma do mundo, muito pelo contrário. Sempre achava alguma coisinha para encrencar, mas aí a VIDA me deu uma chance de mudar e eu mudei! Aliás, eu estou mudando a cada dia.
Provavelmente quem estava ao meu redor durante esse tempo e vocês que estão lendo agora, foram tocados por algum acontecimento, mas eu peço uma coisa: não deixem que seja passageiro. Digo isso por que já fiquei muitas vezes comovida por experiências alheias, mas com o passar do tempo acabei me esquecendo e voltando a rotina.
Agora não tem como esquecer. Desde a velocidade da minha caminhada para o trabalho, até a admiração pela natureza, mudaram na minha vida. Passei a ver TUDO com outros olhos.
Com a correria do dia-a-dia passamos por cima de coisas, pessoas e momentos que não voltam mais. Um dia saindo da radioterapia e indo para o trabalho, em plena Av. Paulista, encontrei uma senhora super arrumada agachada no chão tentando desenroscar a sandália que estava presa naqueles bueiros, sozinha.
Parei, agachei no chão e ofereci ajuda! Lógico que ela aceitou pois não estava conseguindo sair do lugar e havia centenas de pessoas passando e provavelmente, em alguns segundos, ela seria derrubada por alguém ocupado demais para ajudá-la.
Então arrumei a sandália e falei que ela estava muito bonita, mas que deveria evitar sair de casa sozinha com tantos acessórios chamativos, pelos motivos que todos nós já sabemos.
Foi um ato tão simples para mim mas que talvez tenha evitado algum transtorno na vida daquela senhora.
É disso que eu estou falando!
Não tem jeito....geralmente a gente só aprende meeesmo quando o efeito é em nossas próprias vidas. Mas, não custa tentar!!!
Acho que é como perder alguém muito especial. Com o tempo, a dor da perda vai amenizando e o que fica são as boas lembranças. Nesse caso, espero que com o tempo o sofrimento vá ficando no esquecimento e fique apenas a SABEDORIA que adquiri!
Uma pergunta que TODAS as pessoas me fizeram: Bru, mas por que você está com câncer? Qual é o motivo? E eu sempre respondia a mesma coisa....ué, como EU vou saber!? Não tem um motivo...deve ser genético.
Em todos os laboratórios que eu ia fazer exames, enfermeiros que me acompanhavam, recepcionistas, o pessoal da clínica de fertilização, da radio, da quimio, o pessoal do hospital que eu operei e principalmente os 2 melhores cirurgiões de SP, me falaram a mesma coisa: Nossa Bruna, eu nunca vi/cuidei/operei/fiquei sabendo de alguém com esse tumor, com a sua idade.
Nunca questionei o porquê de ter essa doença. Primeiro por que não teria uma resposta e segundo, se eu tivesse, seria: por que sim!
Mas sei que mesmo com tudo isso, Papai do Céu nunca me deixou desamparada e acredito que seus planos para mim sejam os melhores!
Pois é!!! Enquanto muitos se revoltariam, eu acho uma coisa: Só posso ser muito especial mesmo!!! =D

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Lugar de água é na bexiga!!!

Booooooom dia!!!
Quer dizer, não está muito bom por que eu quase não dormi essa noite de dor, mas eu acordei e o sol está brilhando no meu quintal! Que delícia... =) Já descobri o que eu preciso fazer: descarregar minhas energias acumuladas! Vou arrumar meus armários ouvindo música no último volume com a varanda aberta...nada melhor!!!
Tenho muita vontade de viver! EU AMOOOOOOO A VIDA e ficar em casa me faz pensar que ela está passando e eu estou desperdiçando tempo sem fazer nada, mas na verdade estou me recuperando da operação...Certo?!
Bom, eu tinha parado no dia que congelamos os 48 futuros sardentinhos (isso por que eu tenho sardinhas....rs!)!!!
Depois voltei para casa e fiquei aqui me recuperando de tal acontecimento. O médico disse que eu teria muitas cólicas devido ao número (absurdo) de óvulos que eu produzi, tendo em vista que a retirada é feita através de uma agulha muito grande que fura os folículos nos ovários e aspiram o líquido que contém os óvulos. Ou seja, meus ovários foram quase que “perfurados” e o organismo reage acumulando água onde não deveria ter: nos ovários.
A dor que isso provoca é inexplicável!!! Desde que todo esse pesadelo começou até hoje, que ainda sinto dores diárias da cirurgia, nenhuma dor chega aos pés da que eu senti naqueles dias.
Sei que fiquei uns 4 dias em casa e achando que já estava bem fui trabalhar! Na hora do almoço liguei para o meu pai ir me buscar por que não estava conseguindo nem andar, doía para respirar, andar, se mexer,...horrível.
Cheguei em casa e fiquei deitada, o que também doía muito. Naquela noite não estava mais agüentando e fui para o hospital às 4 horas da manhã!
Lá fizeram diversos exames com a suspeita de que tivessem perfurado outro órgão no momento da retirada dos óvulos e me deram mais de 10 remédios para dor, gases, cólica, protetor gástrico,....e nada melhorava. Até que me deram um a base de morfina e não adiantou, foi quando resolvemos ligar para o médico da clínica que se dirigiu imediatamente ao hospital e com a autorização do meu cirurgião, me deu alta e me encaminhou à clinica.
Ele disse que a minha dor era devido à água que havia acumulado nos ovários e deveríamos puncionar novamente para retirá-la, mas o anestesista não estava lá. Não pensei duas vezes e fiz sem anestesia.
Dor por dor, era melhor sentir a dor de duas agulhadas nos ovários do que ficar sem conseguir respirar por mais tempo. AI!!!!!!!!!!! Doeu demaaaaaais. Foi uma tortura, mas saíram quase 3 litros de água e isso é MUITA coisa!
Eles me explicaram que qualquer órgão que não deve ter água, se tiver uma gotinha já dói. Imaginem 3 litros!? E minha barriga estava inchada como de grávida e o peso equivalia a um bebê de alguns quilos.
Ou seja, em pouco mais de uma semana tive a dor de não poder ter filho e a dor de estar grávida....rs!!! E posso dizer que ainda assim a primeira dói mais.
Enfim, sofri mas com o passar dos dias a dor foi diminuindo e o inchaço melhorando!!!
Nessa época as minhas aulas da faculdade começaram e eu e meu pai fomos conversar com o coordenador de direito a respeito da minha situação e da minha vontade de permanecer no curso durante o tratamento de radio e quimio que estava para começar. Lá eles não costumam ser muito compreensivos, mas admito que fui tratada da melhor forma.
Aliás, devo ressaltar a atenção e carinho que tive de todo mundo. Meu pai, minha família, meu namorado e sua família inteira, nossos amigos, meus professores, parentes de conhecidos, amigos distantes, e principalmente, colegas de trabalho.
Faltei muitas vezes por causa de exames, durante o tratamento e agora que estou em casa por causa da cirurgia, mas desde o começo pude contar com pessoas especiais que me apoiaram e compreenderam as necessidades desse momento da minha vida.
Pode estar sendo tudo muito difícil, mas poder contar com as pessoas que eu conto ameniza muito a minha dor. Serei eternamente grata aos que estão me ajudando e devo minha excelente recuperação a todos vocês!!!
E podem ter certeza que daqui para frente, só terei momentos alegres para compartilharmos!!! BORA SER FELIZ =D

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um desabafo do presente!

Hoje eu acordei com vontade de falar do presente!
Estou um pouco para baixo =/ não sei o porquê...mas as vezes nós simplesmente acordamos a fim de não falar com ninguém, e hoje eu acordei assim!
Talvez seja por que ontem fui fazer uma visita surpresa ao pessoal do escritório. Gostei muito de ter visto todo mundo, estava com muitas saudades, mas por outro lado fiquei chateada por não poder estar lá agora. Acho que isso me deixou para baixo...
E também ontem foi dia de trocar a placa da ostomia. Dificilmente alguém irá entender exatamente esse sentimento...só quem já passou por isso e eu desejo que ninguém tenha passado!!!
Estou usando provisoriamente o que chamamos popularmente de bolsinha para o desvio do trânsito intestinal, a fim de proteger a região do intestino grosso costurada até que cicatrize para que seja feita a reversão da ostomia (que é uma parte do intestino delgado que fica preso a uma alça, para fora da barriga).
Essa placa fica colada na pele e no centro fica a ostomia. Mas o processo de troca da placa é muito chato. Ontem meu pai com a maior calma e delicadeza do mundo trocou para mim! Tenho que ficar deitada na cama e ele tem que descolar a placa antiga, o que dói demais, aí limpa toda a região, corta a placa nova para encaixar na ostomia, passa diversos produtos para protegerem a pele, e enfim, cola a placa! Esse processo todo leva em torno de 1 hra e meia e sempre me deixa nervosa.
Não é fácil olhar para a sua barriga e ver um pedaço do seu intestino para fora.
Isso tudo me deixa um pouco triste, mas cada vez que perco a paciência tento lembrar que a ostomia poderia ser para sempre, e graças às orações e pedidos de todo mundo, o médico conseguiu que fosse apenas provisório.
Tem uma música da banda Capital Inicial que fala assim: “Nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito! Pode ser fácil se você ver o mundo de outro jeito...!!!”
 E é isso que eu faço!!! Sempre tento enxergar nas coisas o lado bom e se não tiver, consigo imaginar que poderia ser pior!
E nesse caso poderia ser muito pior....

segunda-feira, 13 de junho de 2011

48: um número para ser lembrado!

Bom dia a todos! Infelizmente ontem eu não consegui escrever no blog, pois passei o dia dos namorados com o melhor namorado do mundo e ele estava sem internet...mas hoje vou compensar! Ps: Obrigada meu amor por sempre estar ao meu lado em todos os momentos, os bons e os ruins! Sem você não teria conseguido...Te amo!

Enquanto me recuperava da pequena cirurgia à qual fui submetida, chegava o dia para a retirada dos óvulos. Porém dois dias antes, à noite, teria que receber a última aplicação da medicação para o encerramento do tratamento.

Chegado o momento, meu pai e eu fomos à farmácia com o medicamento para que o farmacêutico realizasse o procedimento, mas ele disse que não  o faria sem a receita médica e eu não tinha tal receita.

Então fomos para casa e não podíamos adiar mais...já estava em cima da hora. Mas eu não tinha a menor condição de me aplicar uma injeção muito menos o meu pai...só que nessas horas, a necessidade fala mais alto e ele me mandou sentar na poltrona que ele mesmo iria resolver o meu problema!

Confesso que fiquei um pouco receosa! Com certeza ele nunca imaginou manusear uma injeção, muito menos aplicá-la em mim, mas quando nós amamos, somos capazes de cada coisa que nem sabemos explicar...essa foi mais uma coisa que eu aprendi!

Enfim, eu sentei, preparei o medicamento na seringa, expliquei para ele como deveria ser feito e...com muito suor, literalmente, ele o fez!!! Depois que o nervosismo passou, caímos na risada!!!! Missão cumprida!!!!

No dia 08 de Fevereiro de 2011, fomos à clínica logo pela manhã. Chegando lá, me encaminharam para a sala de preparo e me explicaram o procedimento. Coloquei a roupa específica e fui para a sala de cirurgia ainda acordada. Lá eles pegaram a minha veia e em 02 minutos eu já estava dormindo.

Quando acordei na sala de recuperação, sentia uma dor muito forte na barriga. Chamei a enfermeira e pedi um remédio....estava insuportável! Logo meu pai entrou na sala sorrindo e o médico também!!! Ele dizia: “Todos dessa clínica querem saber quem é a tal de Bruna!!!!” e eu sem entender nada perguntei o por que, foi quando ele me disse: “Bruna, como já era de seu conhecimento, as mulheres produzem apenas 01 óvulo por mês. Nesse tratamento elas chegam a produzir entre 8 à 10 óvulos que são congelados. Você produziu 48!!!!!!!!!!!!!!!”

Meu Deus!!! Isso foi incrível =D

Ninguém acreditava...eu estava rindo à toa!!! Naquele momento senti que meu corpo não estava inteiro doente...era só um pedacinho dele que precisava de cura! A maior parte continuava saudável! Isso me deu mais forças e mais fé para acreditar que a minha maioria, iria vencer a minoria!!!!

sábado, 11 de junho de 2011

Um objeto estranho chamado porth-o-cath.

Já tínhamos escolhido o cirurgião, os hormônios estavam sendo injetados diariamente e sabíamos que a doença não havia espalhado. Agora o assunto em pauta era a definição das clínicas de quimio e radio.
Escolhemos os médicos!!! A radio foi feita em uma clínica próxima ao meu trabalho e a quimio tivemos a sorte grande de tratar com um médico que foi muito além...virou um amigo.
Seriam 25 sessões, de segunda à sexta-feira da seguinte forma:
Radioterapia: eu teria que ficar deitada em um aparelho que girava 360 graus ao redor da “maca” emitindo as radiações que eram direcionadas à área afetada. Durava aproximadamente 5 minutos.
Quimioterapia: a droga para esse tipo de tumor deveria ser injetada durante as 24 horas do dia para que o corpo absorvesse melhor e diminuíssem os efeitos colaterais, que eram diarréia, enjôo, mal estar,...mas o cabelo continuaria na cabeça =)
Para que eu pudesse receber o remédio da quimio 24 horas por dia, no dia 31 de janeiro de 2011, passei por um procedimento cirúrgico com o meu oncologista e quimioterapeuta para a colocação do porth-o-cath que é um pequeno aparelho, do tamanho de uma moeda de um real.
Explicando numa linguagem leiga, é um pequeno “potinho”. A base é de metal e a parte de cima é de silicone. Dele sai um cateter que entra na jugular e leva até a veia cava superior, que chega ao coração onde é bombeado para o corpo inteiro. Ou seja, com este aparelho em baixo da pele, o médico puncionaria com uma agulha para injetar o remédio que ficaria em outro aparelho sendo bombeado em doses homeopáticas, durante todo o dia.
No começo a idéia de ter uma agulha no tórax, com um aparelho pendurado na cintura, durante a semana inteira, não era muito agradável. Mas era o que precisava ser feito.
Deu tudo certo na colocação do porth-o-cath, mas o pós-operatório foi bem mais difícil do que eu imaginava. Além dos efeitos da anestesia geral, tinha um corpo estranho dentro de mim e foi difícil me acostumar.
Nesse momento, tive que ficar uma semana em casa sem trabalhar para me recuperar da cirurgia, mas isso sempre foi um problema para mim! Adoro meu trabalho e ficar em casa sem poder fazer nada é enlouquecedor. Inclusive este blog está me ajudando muito...além de ser um desabafo, me distrai bastante.
Aos poucos fui me adaptando e as dores foram diminuindo... mas mal sabia o que estava por vir! Na semana seguinte fui à clinica de fertilização retirar os óvulos...tive uma surpresa e tanto!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Pet scan.

Enquanto eu fazia as aplicações hormonais, outras coisas aconteciam...
Nesse meio tempo, o médico oncologista (com o qual eu fiz a quimioterapia) me pediu um exame chamado pet scan. Lembra uma ressonância, mas o preparo é super chato, o contraste é diferente e você fica 1 hora com o corpo inteiro dentro do “túnel”. Super agradável!!! Aahhh...e nenhum convênio cobre.
Por que ele me pediu??? Por que pelas imagens da ressonância e tomografia parecia que os gânglios ao redor do reto estavam alterados e poderiam estar afetados pela doença também, e este exame através da glicose injetada que destaca as células diferenciadas, faria um mapeamento dos locais afetados pelo câncer.
Poxa, não teve uma única vez, seja com o oncologista ou com o meu cirurgião, que eu saí de alguma consulta feliz. Todas as vezes eu me lembro de sair chorando ou com a cabeça baixa...quando eu levantava a cabeça para ter mais fôlego, vinha uma onda gigante e me colocava lá no fundo do mar de novo...estava cansada já.
Mas mesmo assim, fazia muita força para não me afogar.
Este exame foi horrível de fazer. Eu já estava super desgastada. Na minha última tomografia tive reação alérgica ao contraste, as enfermeiras nunca pegavam minha veia de primeira...estava com a tolerância quase zero!
E com o pet scan não foi diferente. Tive que ficar sozinha em uma sala por umas 3 horas, deitada na maca e levantando a cada 30 min para beber um copo d’água. E para pegar a veia...a mesma novela de sempre. Eu chorando por que estava totalmente desestruturada, a veia que estourava, as enfermeiras que ficavam impacientes,....dentro daquele túnel eu comecei a passar mal e pedi para pararem antes.
O exame foi sofrido, mas o resultado foi animador!!!! A doença estava totalmente concentrada no reto, nenhuma celulinha havia escapado \o/
Eram nesses momentos que eu via que não estava tudo perdido....poderia ter sido pior!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A luz no fim do túnel!

Não foi fácil. Dessa vez fiquei mais triste do que nunca...  =/
Na sexta-feira o sol nasceu e eu ainda estava chorando. Fui trabalhar com um gosto amargo na boca e no coração. Nada me faria esquecer aquela notícia.
 Mas como dizem as famosas frases que depois da tempestade o sol volta a brilhar e nada como um dia após o outro, o sol logo voltou a me iluminar e aquecer.
Em questão de poucas horas meu tio que conhecia um médico, dono de uma clínica de fertilização e novamente a minha dentista e amiga, me indicaram a mesma clínica. Liguei lá e me mandaram comparecer imediatamente.
O desespero estava enorme! Peguei minhas coisas e voei até o local. Chegando lá, passei por uma consulta com o médico que me esclareceu o necessário: eu corria o risco de nunca mais ovular por causa da radio então não poderia perder tempo. Comecei naquele exato momento as aplicações hormonais na barriga que seriam feitas por 10 dias e aí iríamos “colher” os óvulos, congelar e PRONTO!!! Filhotes garantidos.
Precisava ligar para o meu pai...pensar um pouco. Essas coisas não são baratas. Mas pensar o que!? Não tinha o que pensar...as coisas estavam acontecendo muito rápido e eu precisava começar a radio e quimio. Fui para uma salinha e.....PUMBA!!!! Injeção na barriga.
Saí de lá meio tonta. Não pela injeção, mas sim pelo choque de sentimentos. Naquele momento passei da tristeza profunda ao ápice da euforia! Queria gritar MUITOOOOOOOOOOOO!!!!  Quem disse que não vou ter filhos!? Ein?! Ein?!
Então no meio da loucura de exames e médicos, inclui no meu roteiro as idas à clinica para as aplicações das injeções. E querem saber!? Essas nem doíam...

Sem fôlego para continuar.

Bom dia!!! Mais de 800 acessos em 24hrs... \o/ Obrigada queridos leitores!!!
Continuando a minha história, saí da casa do meu tio e vim para a minha. Não me lembro muito bem o que aconteceu aquele dia...aaahhh, preciso dizer uma coisa: quem me conhece sabe que a minha memória não é meu ponto forte, inclusive falarei sobre isso oportunamente. Nossa mente é tão poderosa, que no meu caso sempre sou poupada do sofrimento através do esquecimento. Porém, muitas coisas boas também são levadas...tudo tem o lado bom e o lado ruim, certo?!
No dia seguinte fui aos dois médicos e o plano era quase o mesmo: fazer o tratamento de quimioterapia + radioterapia por 5 semanas (25 sessões) e depois um deles optaria por operar e o outro não! Aí cabia a mim e minha família decidir.
Optamos pelo médico que queria me operar!!! A função do tratamento seria reduzir ao máximo o tamanho do tumor que, no momento, tinha aproximadamente 4 cm, mas eu não queria ficar esperando o momento dele voltar...queria resolver isso logo e não prolongar o problema.
Médico escolhido. Já tínhamos a meta traçada!!! Desse dia em diante foi uma batalha diária: médicos (da quimio e da radio), inúmeros exames com várias complicações, o desespero de estar praticamente sem convênio médico, o emocional instável,...pelo menos o cabelo não ia cair!!! Já era grande coisa =)
Estavamos correndo contra o tempo.
No meio desse furacão, outra bomba. Uma querida amiga, minha dentista, fez uma observação que poderia mudar a minha vida. Será que a radioterapia, por ser direcionada à região abdominal, poderá prejudicar uma futura gravidez?!
Levamos a questão ao médico e a resposta que obtive foi: “Bruna, mulheres que passam pelo tratamento de radioterapia NUNCA MAIS ENGRAVIDÃO.”
Isso não daria para aceitar. Saí completamente revoltada do consultório. Não há otimismo que agüente uma noticia dessas.
Meu mundo caiu.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ame as suas pedrinhas!!!

Não queria fugir do assunto, mas estava ouvindo essa música do Michael Jackson, "Heal the world" e tive que postar aqui duas partes da letra da canção!!!
There's a place in your heart
And I know that it is love
And this place could be much
Brighter than tomorrow.
And if you really try
You'll find there's no need to cry
In this place you'll feel
There's no hurt or sorrow.
There are ways to get thereIf you care enough for the living
Make a little space, make a better place.
.
.
.
.
.

We could fly so high
Let our spirits never die
In my heart I feel
You are all my brothersCreate a world with no fear
Together we'll cry happy tearsSee the nations turn
Their swords into plowshares
We could really to get there
If you cared enough for the living
Make a little space to make a better place
.

Problemas são inevitáveis, todos nós temos!!! Se não, qual seria a graça da felicidade se não tivessemos desafios!? Ao invés de reclamar das pedras no seu caminho, faça como eu fiz com a minha doença...pegue a pedra, faça carinho, cuide dela e resolva com bom humor!!! E não se esqueça do mais importante: extraia de cada pedra o máximo de aprendizado que ela puder te proporcionar >>> é para isso que elas estão nos nossos caminhos!

Assim, quando vier a próxima, a solução virá mais rápido! Para mim isso se chama SABEDORIA, que somente será plena quando resultar das experiências vividas...as boas e as ruins!!!

Boa noite e até amanhã...tenho MTO para escrever  =D

Tenha amor pela sua doença............????

Essa é a parte mais difícil de contar. Não por que me deixa triste, mas sim por que foram tantos sentimentos e pensamentos ao mesmo tempo que renderiam umas 2 páginas.
Lembro que na hora que o médico deu a notícia, eu fiquei temporariamente surda, cega e muda. Ele continuou falando, meu pai fazia perguntas e chorava e eu...surda, cega e muda. Levantei, peguei um lenço de papel que estava na pia do consultório, enxuguei umas lágrimas que caiam dos meus olhos, peguei minha bolsa, desci as escadas, peguei o carro e fui seguindo ele até a casa do meu tio, irmão mais velho do meu pai.
Falei com algumas pessoas no celular, familiares, namorado e duas amigas (as irenes de sempre). Todos estavam sem reação.
Chegamos lá e ele e minha tia nos esperavam, dessa vez sem nenhum sorriso no rosto. Esse meu tio também teve câncer no intestino e hoje está curado, graças a Deus!!! Sei que eles falavam, falavam e falavam...mas eu ainda estava anestesiada.
Nesse momento tive que ligar para o meu chefe pedindo para faltar no dia seguinte, pois tínhamos conseguido marcar consulta com os 2 melhores médicos cirurgiões da área. Não consegui me segurar e acabei contando o que estava acontecendo...
Uma coisa que meu tio me disse naquele momento que eu não esqueci mais: “Bruna, não tenha raiva da doença. Trate seu tumor com amor.”
E foi isso que eu fiz....

Adenocarcinoma ulcerativo.

No dia 17 de Janeiro de 2011, exatamente 1 mês após meu aniversário de 20 anos, meu pai buscou meu exame no laboratório e me ligou do consultório médico. Ele estava na sala de espera e eu no escritório ainda trabalhando quando chegou um sms enviado por ele com as seguintes palavras: ADENOCARCINOMA ULCERADO. Era o resultado do exame que ele não agüentou e abriu...
Nunca vou me esquecer dessas duas palavras!!! Na hora coloquei no Google e os resultados da busca falavam sobre câncer no intestino. Tive um choque de memórias: meu avô que lutou mais de 10 anos com muita força e alegria contra o câncer, descobriu seu primeiro tumor no intestino quando foi ao banheiro e notou a presença de sangue nas suas fezes; o médico que tinha pegado na minha mão e falado comigo com um tom de preocupação; os resultados do site de busca sobre adenocarcinoma ulcerado...............................................não podia ser!!!
Na hora pedi para sair mais cedo, peguei meu carro e fui para a clínica. Chegando lá encontrei meu pai que estava tranqüilo, pois havia pedido para uma parceira de trabalho pesquisar o que significavam aquelas duas palavras e ela lhe informou que era um tipo de úlcera no intestino. Ulcera no intestino?! Não...pelo o que eu sabia úlcera só poderia ser no estômago.
Então eu peguei o exame e vi as fotos da ferida. NOSSA! Aquilo não poderia ser coisa do bem...
Chamaram meu nome, entramos no consultório. O médico perguntou o que nós achamos do resultado, já que o envelope estava aberto e meu pai logo disse que era úlcera e perguntou como deveríamos tratar. Eu fiquei em silêncio. Não era úlcera coisa nenhuma.
Foi quando ele soltou a notícia que virou a minha vida de cabeça para baixo, me chacoalhou e me tacou num abismo: “Bruna, você tem um câncer no reto e nós temos que agir rápido por que é maligno e não está no começo. Temos que fazer mais exames e começar o quanto antes um tratamento de radio e quimioterapia.”
..........................................................................................................................................OI?!

Alguma coisa estava errada...

Tudo começou em julho de 2010. Os sintomas, as dores, o sangramento...procurei um médico gastro que me pediu alguns exames, onde foi constatado apenas anemia. Anemia!? Nossa eu achei muito estanho...comia arroz e feijão todos os dias com legumes e verduras...não fazia muito sentido para mim!
Bom, não me preocupei por que sabia que não tinha onde melhor minha alimentação. Então ele me passou um remédio vermífugo, eu tomei e não fez nenhum efeito. Quando retornei ao consultório disse que queria fazer uma colonoscopia e ele me deu o pedido médico para o exame.
Aí já estávamos em novembro de 2010. Liguei para alguns laboratórios, mas como estava com um convênio básico fornecido pelo escritório de advocacia que eu estagio, [que eu me arrependo diariamente de não ter escolhido um melhor e pagado a diferença] foi difícil agendar em algum laboratório da minha confiança, por isso marquei para o dia 10 de janeiro de 2011.
Nesse meio tempo estava tudo muito bem!!! Estudei muito para as provas finais da faculdade (como sempre), fui aprovada \o/ e fui para o Leste Europeu passar o ano novo com uma amiga!!! Quem estava lá sabe: na hora da virada, estávamos num lugar maravilhoso de Budapeste com vista para o rio Danúbio e eu fui em um canto sozinha e disse que ia “conversar com o Papai do Céu e fazer meus pedidos”, como de costume.
Pela primeira vez pedi para que ele iluminasse e cuidasse do meu pai, do meu namorado e da minha avó!!! Pessoas que eu amo MUITO e sentia que no momento precisavam de proteção mais do que eu, e para mim, não ia pedir nada esse ano!!! Que Ele fizesse o que fosse melhor!!!
Mal sabia que em troca, todas as pessoas que me conheciam iriam passar o ano pedindo por mim...
Voltei para SP e no dia 10 de janeiro fui com o meu pai fazer o exame. Logo que eu entrei na sala, tiveram que pegar uma veia mas como eu estava nervosa por que tenho medo de agulha, a veia sumiu e a enfermeira me picou duas vezes. =/ Logo eu dormi e acordei com um médico de mãos dadas comigo me perguntando quando que era o meu retorno no consultório médico.
Nossa por que ele estava falando aquilo!? Sei lá....eu não conseguia nem enxergar a cara dele...rs!!! Estava sonolenta mas falei que ia assim que o exame ficasse pronto e ele me olhou bem seriamente e disse: não deixe de ir ao médico...o mais rápido que você puder.
Que bom!!! Ele me deixou beeeem tranqüila depois desse comentário ...Obrigada Dr.!

Bom dia!!!

Bom dia!!!
Estou MUITO feliz =D Essas noites pós-operatórias não têm sido nem um pouco agradáveis...tenho dormido muito pouco. Fico pensando, pensando, pensando....e essa noite em especial pensei tanto que “acordei” cansada! Rsrsrs...!
Mas acordei feliz por que fiquei pensando no blog e quando entrei aqui vi que tive mais de 170 acessos em menos de 12 horas no ar! Noooooooossa, que demais!!! Obrigada a todos!!!
Quero escrever muitas coisas...nem sei por onde começar! Acho que pelo começo, né? Mas qual dos começos? Quando eu nasci? Quando minha mãe faleceu? ...Bom, acho que vou começar pelo dia que eu descobri o CÂNCER.
Aaahh....falando nisso, seguindo a dica de “alguma leitora anônima” eu mandei um e-mail para 2 revistas contando a minha história...quem sabe eles se interessam em publicar!? Valeu a dica ;) e mandei um e-mail para a GRAAC também!!! Nunca estive tão pronta para ajudar os outros.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um breve resumo...

Bom, vou fazer um breve resumo sobre a minha vida para quem não sabe o por que da criação desse blog.

Entre muitos outros detalhes, nasci dia 17 de dezembro de 1990, no dia limite para o parto!!! Já comecei em cima da hora...como sempre! RS!!!
Se eu fosse criar uma linha do tempo da minha vida, seria mais ou menos assim:
·         06 meses: foi detectado que eu tinha coarctação da aorta > minha 1ª cirurgia;
·         07 anos: operei de hérnia na barriga;
·         09 anos: minha mãe faleceu;
·         10 anos: operei novamente da coarctação da aorta;
·         15 anos: retirei as amídalas (tive que operar 2x por que tive hemorragia...);
·         16 anos: operei o maxilar;
·         20 anos: fiz quimioterapia, radioterapia e retirei um tumor maligno no reto;
·         26 anos: ..............espero que seja o nascimento do meu 1º filho!!!
Agora estou em casa, recém operada!!! A cirurgia foi dia 22 de maio e devido às inúmeras correntes feitas por diveeeersas pessoas, em quase todas as religiões e crenças, deu tudo certo e eu estou 100% curada!!!
Agradeço a todos que dedicaram alguns minutos de suas vidas orando e pedindo pela minha cura!!! Seus pedidos foram atendidos e eu estou aqui para compartilhar essa minha jornada que não está sendo fácil, mas sei que vai valer a pena, com vocês ;) VIVA LA VIDA!!!

Bem vindos!!!

Boa noite pessoal!!!

Meu nome é Bruna e eu tenho algumas experiências para dividir com vocês.

Mesmo com apenas 20 anos, desde pequenininha a vida sempre coloca algum empecilho no meu caminho, mas querem saber?! Eu AMO a vida e quero vivê-la ao máximo e ser MUITO feliz!!! Isso não significa não ter problemas, mas sim, aprender com eles para viver cada dia com mais sabedoria.

Pode parecer que não tenho muito a passar para vocês, mas se celebridades de 19 anos e prostitutas têm filmes e livros sobre suas vidas, por que eu não poderia ter!?

Espero ajudar a todos com as minhas experiências!!!

Um beijo  e um brinde à vida...que é bonita, é bonita e é bonita!!!!