sexta-feira, 29 de julho de 2011

Um primeiro encontro para ser esquecido.

Era a hora da verdade!

Eu estava deitada e o meu pai em pé ao lado da enfermeira que veio arrastando uma mesa e a colocou ao lado da cama. Organizou e preparou os instrumentos. Lembro-me que meu pai ainda brincou: “Nossa, você vai fazer outra cirurgia na Bruna?”

Se não fosse triste seria engraçado!

Para quem não sabe, aqui vai uma breve explicação.

O nosso intestino começa com o nome de delgado, que é o maior, e depois vira o grosso, que tem como a parte final o reto. Como o meu tumor ERA (é muito bom dizer isso no passado) no reto, na cirurgia foi retirado metade do meu intestino grosso com uma margem de segurança para evitar qualquer célula restante.

Devido à costura no intestino grosso, o trânsito intestinal teve que ser desviado até a cicatrização da área afetada evitando alguma infecção.

Esse desvio no trânsito intestinal pode ser feito na parte do intestino delgado, denominado Ileostomia ou no intestino grosso, Colostomia. Como no meu caso a parte a ser preservada era o intestino grosso, foi feita a Ileostomia.

Resumindo: a comida vai para o estômago, depois para o intestino delgado e logo “desemboca” na bolsinha!!! Preservando assim o local costurado.

E como que é essa tal de Ileostomia?! É literalmente um pedaço do intestino delgado que é colocado para fora da barriga, por onde saem as fezes (que ainda não são fezes pois a absorção as água só ocorre no intestino grosso).

Estranho né?! Muito.

Então a enfermeira colocou as luvas e iniciou aquele longo e difícil processo.

Começou usando um produto para descolar a placa da minha barriga, que é um quadrado onde, no meio, fica a Ileostomia e em volta tem um suporte para encaixar a bolsinha.

Para tirar a placa doeu muito e eu comecei a ficar nervosa. Até então estava evitando olhar diretamente para aquilo e a placa amenizava um pouco a visão.

Após uns 30 minutos e bastante dor ela conseguiu tirar. Ele estava lá, sem nenhuma máscara, sem nenhum disfarce.

É muito difícil explicar essa sensação.

Um pedaço de mim para fora. Um órgão de cor vermelha saindo da minha barriga totalmente desprotegido e exposto para quem quisesse ver.

A pele envolta também vermelha, mas vermelha de machucada.

Eu não estava mais conseguindo segurar aquele sofrimento e desabei a chorar. Chorei de soluçar até ficar com o queixo cheio de manchas vermelhas.

Quanta vermelhidão em mim.

Ela começou a limpar em volta da pele e eu já não conseguia mais ver aquilo. A minha vontade era levantar e sair correndo, mas mesmo se eu pudesse, não tinha forças.

Meu pai prestava muita atenção. A cada passo, ele questionava, pedia para ela repetir. Não deixou passar nenhum detalhe sem que ele entendesse, afinal, estava claro que eu não iria conseguir fazer aquilo sozinha.

Então veio a parte mais difícil! Ela pegou uma nova placa e foi medindo para cortar no meio, onde encaixa a ileostomia.

Cortava um pouco e tentava encaixar, cortava mais um pouco e tentava novamente....e assim foi por umas 7 ou 8 vezes até que aquele meu pedacinho de órgão tão sensível começou a sangrar e eu entrei em pânico.
Nesse momento meu pai que não sabia o que fazer, fez a única coisa que estava em seu alcance. Veio do meu lado esquerdo, me deu a mão, beijou a minha testa e pediu para eu ter FORÇA que ia dar tudo certo!!!

Naquele momento era o que eu precisava, mas tirar forças de onde?!

Soluçando de tanto chorar, olhei para a paisagem que tinha lá fora e em minha direção estava o quadro que ganhei dos colegas de trabalho. Todos estavam lá, olhando para mim com placas dizendo que tudo ia dar certo e que Deus estava comigo.

Respirei fundo e agüentei firme! Aquilo me fez pensar que lá fora tinha uma VIDA a minha espera e muita gente torcendo por mim!!!

Enfim ela conseguiu acabar aquele martírio, colou a placa e encaixou a bolsinha.

Eu e meu pai estávamos em estado de choque. Ela foi embora e nós ficamos lá...eu com a dor emocional e física e ele com o peso nas costas de saber que seria o próximo a realizar o procedimento.

Sei que depois disso, tive muita dor e passei uma noite péssima.

Na manhã seguinte acordei muito mal, vomitei o dia inteiro, tomei inúmeros remédios e nada passava. Chorei de dor....chorei muito! Comecei a perder o ar.

O dia foi acabando e eu piorando...

Já no entardecer, sem nenhuma melhora, levaram-me para fazer uma tomografia de urgência na cadeira de rodas e eu não estava mais agüentando.

Sem nenhum diagnóstico e cansada de toda aquela situação, pedi um remédio para dormir e foi essa a solução.

Ninguém sabe o que de fato aconteceu comigo e eu sei o quanto sofri aquele dia...só sabemos que tudo começou após a troca da placa.

Coincidência???

Acho que não.

Aquele, sem dúvidas, foi o momento mais difícil de toda a minha recuperação pós-operatória.

Fiquei realmente abalada e impressionada. Imaginem se a bolsinha fosse para sempre?!

Meu Deus...serei eternamente grata pela chance que eu tive! Só posso retribuir sendo muito feliz e passando a minha experiência para o maior número de pessoas!!!

Mas e se não tivesse a bolsinha?! Acho que doeria mais ir ao banheiro com aquilo recém costurado...sei lá, melhor pensar assim.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Uma coxinha, um x-salada, um sonho e a volta à realidade!!!

Boa noite!!!
Demorei um pouco, mas hoje tenho “boas novas”!!! Acabamos   eu e meu pai, de trocar a ÚLTIMA PLACA da bolsinha!!! Para quem não sabe, na próxima terça-feira, 02 de agosto vou passar por outra cirurgia para reverter a ostomia =)
Imaginem a minha felicidade!!! Na verdade vocês não vão conseguir...é muito grande!
Depois do meu último post, fui me acalmando com o passar do tempo e com as lindas mensagens que recebi aqui! Obrigada a todos que sempre me dão uma palavra de carinho e esperança... Devo a vocês a minha força!
Voltando aos meus dias de pós-operatório...
A segunda noite foi muito difícil, mas passou!
No terceiro dia, 24 de maio de 2011, acordei um pouco melhor! A dor nas costas permanecia um pouco menos intensa e eu me sentia um pouco mais disposta.
O banho foi um pouquinho mais fácil e eu já estava me movimentando mais, perdendo o medo.
Após a visita do médico foi liberado o almoço e eu fiquei super animada!!! Não comia nada desde sábado...que fome!
Quando o meu caldo ralo (água com cor e cheiro) chegou, eu tomei umas 05 colheradas e já estava satisfeita!!! Imaginem se fosse sempre assim? Rs...E mesmo tomando tão pouquinho, passei mal. Tive enjôo e logo me deram um remédio!!!
O dia foi bom com queridas visitas e o sono foi mais tranqüilo!!!
No dia seguinte, 25 de maio de 2011, acordei “com a corda toda”, como diria a minha avó!
Estava mais confiante, conseguindo fazer novos movimentos!!! Tomei banho sozinha e em pé, penteei o cabelo, sequei com secador, fiz exercícios de fisioterapia mecânica e respiratória!!! E o melhor...no almoço veio canja com pedaços de frango e arroz!!!
A verdade é que eu e meu pai não entendemos o banquete, pois anteriormente no consultório, o médico tinha falado que eu ficaria cerca de 02 meses tomando só liquido. Desconfiados, pedimos para a enfermeira ligar para ele e confirmar se eu poderia mesmo comer aquilo tudo...e ele confirmou!
O que tinham nos falado, seria aplicado em outras circunstancias!
No jantar veio um talharim com molho vermelho e frango desfiado!!! Aaaahhhh....eu comi com muita vontade!!!!!
E como diz aquela frase “Tem pessoa que não se pode dar a mão que já quer o braço inteiro”...eu quis mais e tive um cúmplice!
Desde o primeiro dia no hospital, não parava de falar que queria comer uma coxinha e um x-salada, mas achei que aquele momento estava longe de acontecer.
Porém, o meu pai que me ama muito e não pode me ver passando vontade (rs...) , quando se deparou com toda aquela comida chegando e já sabendo que eu estava autorizada a “mastigar”, me trouxe uma sacola muitooo cheirosa!
E adivinhem o que tinha dentro!?!?!?!?!
Uma coxinha e um x-salada!!!!
Eu estava no ápice da alegria =)
Abri o embrulho da coxinha e comi quase tudo, bem devagar! Depois abri o x-salada e fiquei analisando por onde começar...quando dei a primeira mordida, daquelas que metade do rosto fica com maionese, a porta do quarto abriu e era uma enfermeira!
Eu rapidamente embrulhei o sanduiche e por pouco não joguei embaixo da cama! Rsrsrs...se ela visse, íamos levar uma bronca e tanto! Mas para a minha sorte ela só tinha ido buscar alguma coisa que havia esquecido....UFA!
Aquela cena foi no mínimo engraçadíssima e inesquecível...e eu ainda posso dizer que o crime compensou!
Mais tarde a mulher do meu pai foi nos visitar e levou algumas comidinhas para deixar na geladeira do quarto, entre elas um sonho recheado de doce de leite!!! Hahahaha preciso falar mais alguma coisa? Se quem está na chuva é para se molhar, eu já estava encharcada e umas gotinhas não fariam diferença....dei duas mordidas!
Nessa noite também não tive problemas!!! Tentava me virar um pouquinho mais para um lado...um pouquinho mais para o outro...e com o efeito dos remédios, acabava dormindo.
Dia 26 de maio de 2011, quinta-feira!
Acordei muito feliz, o que não poderia ser diferente depois de tanta comida após um jejum de dias.
Estava passando bem até que a enfermeira chegou no quarto com muitos matérias hospitalares na mão, colocou-os em cima da bancada e nos informou: Hoje vamos trocar pela primeira vez a placa e eu irei lhes ensinar como manusear a bolsinha.
Aquilo tudo estava começando a ficar legal, quando de repente.... Chacoalhão!!!
Na verdade ela já tinha deixado com o meu pai uma apostila com todas as informações sobre o assunto só que eu ainda não tinha nem olhado a capa. Ele leu tudo e até anotou algumas dúvidas, mas eu deixei para depois.
Já tinha visto a ostomia na hora do banho e enquanto elas trocavam a bolsinha, mas eu olhava rapidinho e logo virava a cara.
O fato é que não dava mais para adiar! Era hora de encarar aquela coisa vermelha, esquisita na minha barriga, que me assustava tanto.
Fiquei completamente apavorada e ainda nem sabia o que vinha pela frente.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Meu destino é incerto, mas a minha vontade é VIVER!!!

Boa tarde!

Meus planos eram de escrever sobre os dias que passei no hospital, sem interrupções. Mas como na vida não podemos planejar muito, preciso escrever sobre HOJE.

Acordei na casa do meu namorado e fomos ao médico oncologista que me aplicava a quimioterapia. Desde que o tratamento acabou, preciso ir lá a cada 15 dias para ele injetar soro no porth-oh-cath evitando qualquer inflamação, mas dessa vez demorei 2 meses...acho que eu estava fugindo!

Chegamos lá e eu deitei na maca! Lá vem ele com aquela agulha enorme me furar...Dessa vez não fiz drama nem enrolei muito. Só respirei e fechei os olhos!

Tinha me esquecido daquela dor.

Não é só a dor da picada...ele tem que fazer muita força para furar o porth e a agulha tem que bater no fundo do aparelho para que ele possa injetar o soro. Também tem a dor de lembrar dos meus dias de quimio...estou tentado esquecer!

Mas não reclamei e quando eles me perguntaram da dor, disse que não senti nada! O que ia adiantar falar a verdade?! Ninguém poderia sentir o que eu senti...e eu nem quero. Não desejo isso a ninguém!

Quando o médico saiu, meu namorado me olhou e disse: Eu sei que doeu...vi a sua cara de sofrimento!

Ainda no consultório conversamos sobre o meu pós-operatório, da cirurgia que eu ainda serei submetida, e está decidido: farei mais 06 meses de quimioterapia, sendo a cada 02 semanas uma injeção no porth e em casa comprimidos diários.

Fiquei triste! Até então eu sabia que seriam 03 meses...mas 06? Poxa...começar o próximo ano fazendo quimio não estava nos meus planos.

A verdade é que planejamos tantas coisas e em alguns segundos, tudo vira de cabeça para baixo.

Por exemplo, agora eu devia estar almoçando com alguém, contando do meu dia e dando risadas, mas estou na minha mesa, sem fome, desabafando no Blog para não pirar!

A vontade era de ir embora e ficar no meu quarto sozinha sem falar com ninguém, mas iai?! Ia chorar até quando?! Até as lágrimas secarem?! Talvez ajudasse...mas eu tenho responsabilidades a cumprir.

Eu sei que amanhã ou depois vou esquecer essa dor e me conformar com a notícia, mas até lá vou ficar triste, forçando sorrisos para as pessoas que passarem por mim.

Sabe, nós temos uma facilidade incrível em nos adaptarmos às mudanças quando preciso.

Ao chegar no trabalho, fui ao banheiro e em poucos segundos me veio à cabeça um filme de tudo o que passei desde Janeiro. Derramei algumas lágrimas de tristeza e emoção. Tristeza por pensar que tive câncer e emoção por saber que foi difícil, mas estou curada!

Mesmo com a bolsinha pendurada na minha barriga e essa notícia de derrubar qualquer fortaleza, sei que até o fim do dia estarei mais tranqüila e confortada. Consegui passar por tantos desafios....esse não será nem de longe o mais difícil.

Quero viver!!! Preciso viver!!!

Quero ter a certeza de que fiz TUDO além do que podia para preservar a minha vida e cuidar da minha saúde.

O resto, deixo na mão do Papai do Céu e peço todas as noites que me deixe viver MUITO e ser muito FELIZ com SAÚDE e com os meus futuros FILHOS!!!

Sei que ele está me ouvindo...

domingo, 17 de julho de 2011

O desespero do primeiro dia e a dor da primeira noite.

Voltando ao dia 22 de maio de 2011...
Após a cirurgia, cheguei no quarto e recebi a notícia de que tudo tinha ido bem e o resultado não poderia ser melhor: estava curada e com a bolsinha provisória!!!!!!!!!!!!!
Como estava sob o efeito da anestesia não me lembro de muita coisa. Sei que todos meus familiares e namorado estavam lá! Conversei com alguns, ganhei um vaso de tulipas brancas e dormi.
No dia seguinte acordei com dor e muito incomodada. Tinha um cano que vinha do meu estômago, subia pelo meu corpo e saía pelo meu nariz terminando em um recipiente que sugava as secreções produzidas durante e após a operação! Blargh....nem sei que som essa palavra pode produzir mas aquilo me enjoava muito.
Incomodava a garganta, doía o estômago e eu não conseguia respirar! Me arrepia só de lembrar.
Além disso, as dores eram diversas! Na barriga, no bumbum e nas costas. Tinha também o mimi e o cocó! Era a sonda do xixi e o acesso na veia com duas saídas ligadas em remédio e soro.
Não sabia o que era pior....aliás, sabia sim! Era a sonda do nariz.
Após muito esforço e com a ajuda das enfermeiras e do meu pai, consegui ir para a poltrona. Tudo era feito com muito cuidado e dificuldade...eu ainda não conseguia me mover muito e tinha medo de arriscar.
Estava lá sentada quando entre a voz das enfermeiras, do meu pai, o som da televisão e os ruídos externos do corredor, ouvi a voz do meu médico! Não conseguia falar, mas abri um sorriso e comecei a apontar para a porta...ninguém entendeu!
Só eu conseguia diferenciar a voz que eu precisava ouvir, do barulho ao meu redor!
Após alguns segundos, ele entrou no quarto...quanta alegria!!!
Falou sobre a operação, me examinou rapidamente e autorizou a retirada do tal caninho!!! Era tudo o que eu queria.
A enfermeira sentou ao meu lado com alguns instrumentos médicos e disse que ia puxar! Aiiiiiiiii.....doeu bastante! Senti aquele tubo raspando em todos aqueles órgãos até sair pelo nariz.....Arrrrgh! Que vontade de ......... deixa pra lá!
Ufa!!! Doeu mas saiu!!! Quanto alívio J
Depois de um tempo fui tomar banho! Fiquei sentada na cadeira própria para isso com todos os fios que saiam de mim e a enfermeira me ajudou. Eu ainda estava muito fraca e sensível.
Passei o dia sentada, como não poderia ser diferente recebendo visitas e a cada hora tomando algum remédio ou qualquer outro procedimento hospitalar, mas não pude ingerir nenhum alimento nem líquido...só água! E assim o dia foi passando...
À noite voltei para a cama e dormi! Era muito ruim por que estava com medo de me mexer e machucar ou me enroscar num fio, mas estava muito cansada e acabei pegando no sono.
Porém, no meio da noite acordei com muita dor. Muita muita muita!
Chamei meu pai e ele pediu ajuda para um enfermeiro. A dor era nas costas, por causa da mesa de operação e era muito forte!
Eles me colocaram sentada na poltrona, mas não adiantou. A dor era insuportável e só piorava!
Durante aproximadamente 03 horas ficamos lá: meu pai desesperado sem saber o que fazer, os dois enfermeiros me dando remédios que de nada adiantavam e eu chorando de dor, literalmente!
Bom, após todas as tentativas eles colocaram na cama um colchão conhecido como “caixa de ovo”, usado para quem tem dor na coluna e me deram um remédio a base de morfina e um para dormir.
Não sei se a dor passou, mas sei que eu só acordei no dia seguinte!
Saldo final do dia: ganhei a libertação do caninho do nariz e a dor nas costas!!!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"Hoje eu acordei com uma vontade danada...de ser FELIZ!!!!"

Boa noite a todos!
Sinto muito por ter ficado alguns dias sem escrever. Não sou de ferro e como todas as outras pessoas, passei por uma breve fase de turbulência. Mas passou!!! Afinal, após tudo o que eu enfrentei nesses últimos tempos, o que poderia me preocupar!? Até eu me esqueço às vezes das minhas próprias palavras...
Tenho o mais importante!!! Nunca me imaginei pedindo por saúde nas minhas orações ou planejando a cor que usarei na próxima virada de ano: AZUL!!! Totalmente azul....dos pés à cabeça!!!
Com apenas 20 anos, para que entrar no novo ano com essa cor!? Amor, paixão, $$$, paz, esperança....mas saúde!? Estava totalmente fora dos meus planos! Mas quem disse que devemos segui-los?!
A vida nos prega cada peça que hoje posso dizer, mais do que nunca, que achei um motivo para a minha doença! Mas como sou muito cuidadosa e preservo a minha felicidade acima de qualquer coisa, vou manter o segredo até a concretização, momento em que contarei a todos vocês a melhor noticia do ANO!!!
Sabem a frase “Há males que vem para o bem”??? Hoje acredito nisso =)
Apesar de tudo o que aprendi, tive que me dar uma bronca daquelas!
Por causa de um erro que cometi e tive que agüentar as conseqüências, as minhas provas da faculdade que comecei hoje e outros motivos banais perto da minha luta diária PARA A VIDA, perdi o sono durante alguns dias e até estou com uma ferida no lábio de tanto nervoso.
BRUNA!!!!! PARA QUE TUDO ISSO!?
A batalha mais difícil você já venceu! Se esse nervoso todo é capaz de me gerar uma ferida externa, imagina internamente!?
Calma...muita calma!!!
Sempre ouço dizer que “com saúde, conquistamos o resto”! Mas na verdade não sabia o real significado dessa frase e agora eu aprendi!
Sou muito ansiosa e teimo em sofrer por antecipação, isso me prejudica muito e posso dizer que em todas as vezes o sofrimento prévio é mais difícil do que o posterior. Que bobagem!
UFA!!!! Passou e deu tudo certo...como sempre!!! Será que eu vou aprender um dia!? Ai ai ai...
Sobre os acontecimentos de hoje só posso revelar que: fui muito bem nas provas e tive consulta com o meu cirurgião!!!
Marcamos a data da reversão da bolsinha...oba oba oba!!! Falei para o médico: Nossa, acho que vou sentir saudades!!! Mas ele logo disse que NÃO!!! Acho que ele estava certo.
Prometi em voz alta e meu namorado é testemunha: assim que eu voltar do hospital, vou deitar no enorme tapete da minha sala e irei rolar de uma ponta à outra, várias vezes!!!! Rsrsrsrs...será uma comemoração e tanto para quem ama se virar durante o sono e não pode.
Após alguns dias de tensão, hoje é para comemorar!!! E uma música me veio à cabeça....
“Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bobo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...

Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,
que tanto te ama!...

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...”

BORA SER FELIZ!!!!!!!!!!!!   \O/

quarta-feira, 6 de julho de 2011

As borboletas e eu: nossa missão!

Enquanto eu estava sendo operada, pelo meu médico e por Deus, minha família estava unida no quarto, orando e esperando ansiosamente pelo resultado da cirurgia.
Entre as pessoas que lá estavam tinham católicos, evangélicos e espíritas. Diferentes religiões, mas o pedido era o mesmo: sucesso na minha operação!!!
Foi quando receberam uma mensagem!
Tenho uma prima que é adotada, filha da minha tia – madrinha – irmã da minha mãe, que considero minha irmã. Ela tem apenas 5 anos e chegou em nossas vidas num momento de muita tristeza e fragilidade.
Essa minha querida irmã de coração estava na área externa do hospital com alguns familiares e meu pai esperando a minha chegada, quando de repente, no meio daquela apreensão e incerteza do rumo da minha história algo surpreendente aconteceu.
Uma borboleta!!!
Uma borboleta que veio sobrevoando aquele lugar cheio de pessoas orando pela mesma causa: A MINHA VIDA!
A borboleta foi se aproximando, aproximando, aproximando...pousou no colo dela! Que incrível!!!!
Saiu do colo dela e pousou no colo de alguém que mais do que qualquer outro, precisava de um consolo, um sinal, algo que acalmasse seu coração. O meu querido pai.
Para confirmar a mensagem de que tudo estava indo bem e a minha cura era garantida, pousou novamente no colo da minha prima e voltou para o meu pai.
Independente da crença de cada um, aquilo foi suficiente para tocar o coração de todos!
A suavidade do vôo, as cores únicas e a paz que elas trazem me fazem sentir a presença da minha mãe assim como o brilho das estrelas que refletem no meu olhar sem esperança e confortam o meu coração.
A minha explicação é a seguinte: a minha mãe com permissão do papai do céu trouxe uma mensagem! Não foi um sinal por que já era concretizado, foi uma mensagem para que eles ficassem em paz, pois eu não estava sozinha. Em nenhum momento estive!
Uma mensagem divina transmitida por um ser tão especial...uma borboleta! Nunca uma é igual a outra. E essa sou eu, diferente de todos com a missão de trazer paz e conforto para as pessoas.
Por isso eu estou escrevendo o blog, com o intuito de mostrar para o mundo que essa vida vale a pena e apesar das dificuldades, sempre haverá uma estrela brilhando no céu no final de cada dia de luta e as borboletas sempre irão trazer paz para os nossos corações, basta olharmos com a devida atenção.

domingo, 3 de julho de 2011

À espera de um milagre!

Dia 22 de maio de 2011.
Só poderia dizer que acordei se eu tivesse dormido, o que não aconteceu. Levantei da cama, tomei um banho, peguei minha mala e todos meus “amuletos da sorte”. O leãozinho e o urso de pelúcia, a minnie, meus santinhos e anjinhos, o quadro e o scrap book que ganhei do pessoal do escritório, uma foto com a minha avó e meu avô e uma com o meu anjo da guarda que sempre esteve ao meu lado! Até os dez anos de carne e osso e após os dez anos sempre me guiando...minha mãe!
Queria que ela estivesse passando por tudo isso comigo, queria poder dar somente um único abraço nela antes de entrar na sala de cirurgia. Mas melhor do que isso sabia que ela estaria o tempo todo fazendo carinho na minha testa como fazia quando eu era pequena para me acalmar até eu dormir!
Chegamos no hospital às 05:30h! Preenchemos as papeladas e fomos para o quarto. Arrumei as minhas coisas e fiz o “meu cantinho” com tudo o que eu tinha levado para me dar FORÇA!
Quanta tensão!
Entra um enfermeiro, outra enfermeira...e meu pai coloca uma música bem alta no Ipod para descontrair!!! Rs...!
De repente duas pessoas mais do que especiais chegaram: meu namorado e minha sogra! Foram até lá aquela hora da manhã só para me darem um beijo e levar a imagem de Santa Rita que, aliás, colocamos no bolso do anestesista!!! Dia 22 de maio é o dia Dela!
Entre picadas e outros procedimentos a hora chegou e eu estava deitada na maca pronta para ir! Me despedi do meu pai que estava se segurando para não desmoronar por que precisava me passar tranquilidade, da mulher dele que me deu a mão e fez uma oração, da minha sogra que dizia: Força Santa Rita! e do meu namorado que como sempre, estava lá ao meu lado...quanta sorte eu tenho! Quantas pessoas orando por mim...aquilo ia me acalmando.
Daí em diante não sei mais o que aconteceu! Provavelmente cheguei na sala de cirurgia e dormi com o carinho da minha mãe na minha testa.
Enquanto eu era operada, muitos familiares estavam no quarto rezando por mim!
Só depois fiquei sabendo que quando acordei da anestesia ainda na sala de recuperação, perguntei 5 vezes a mesma coisa.
Acordava, olhava para o anestesista e perguntava: Deu para costurar!? Ele respondia, eu chorava, virava para o lado e dormia de novo.
Acordava, olhava para o anestesista e perguntava: Deu para costurar!? Ele respondia, eu chorava, virava para o lado e dormia de novo.
Acordava, olhava para o anestesista e perguntava: Deu para costurar!? Ele respondia, eu chorava, virava para o lado e dormia de novo.
Acordava, olhava para o anestesista e perguntava: Deu para costurar!? Ele respondia, eu chorava, virava para o lado e dormia de novo.
Acordava, olhava para o anestesista e perguntava: Deu para costurar!? Ele respondia, eu chorava, virava para o lado e dormia de novo.
Cinco vezes...todas eu reagia com a mesma emoção como da primeira vez!
Quando cheguei no quarto, perguntei de novo: Deu para costurar!?
E quando ouvi a resposta, já consciente, olhei ao meu redor e vi vários rostos de pessoas queridas e comecei a chorar...chorei muito!
Não podia acreditar naquele resultado!
Após receber somente notícias ruins durante todo aquele tempo, descobri que o melhor estava guardado para o fim!!!
O médico conseguiu costurar e eu não teria que usar a “bolsinha” para sempre!
UM MILAGRE TINHA ACONTECIDO NA MINHA VIDA!!!
Essa história terá SIM um final feliz...MUITO FELIZ =D

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As surpresas da vida!

Aqueles dias não foram fáceis.
Só conseguia pensar nisso. Além da ansiedade normal da cirurgia algo muito importante ainda não estava definido: bolsinha para sempre!?
A semana foi passando e eu ia me despedindo das pessoas! Os professores na faculdade, os amigos,...todos me desejando tudo o que eu precisava: FORÇA E FÉ!!! Força para encarar todos os procedimentos que estavam por vir e Fé para acreditar e confiar num resultado positivo.
Mas tive uma surpresa que me fez sentir a pessoa mais especial do MUNDO.
No dia 20 de maio, meu último dia de trabalho, tudo estava caminhando normalmente quando no final da tarde um querido amigo veio com uma sacola enorme, olhou para mim e disse: “mandaram te entregar!”
Vou confessar que no fundo eu até esperava alguma coisa...acho que um e-mail coletivo de boa sorte iria me deixar muito feliz. Mas não era isso!
Naquela sacola estavam os dois presentes mais especiais que eu já ganhei nessa vida.
Um quadro retangular com um fundo rosa e três fotos nas quais estavam TODOS os funcionários do escritório!!! Todos mesmo!!! Reunidos segurando placas que diziam: “Que Deus te proteja, volta logo!”; “Boa sorte! Tenha uma recuperação excelente!”; “Bruna, estamos torcendo por você!” e nas bordas continha o nome de cada um.
Nas fotos também estava um ursinho de pelúcia que fica em cima da minha mesa! No primeiro dia que eu fui trabalhar após o diagnóstico da doença ganhei um buquê de flores maravilhoso com este ursinho e desde então ele faz parte do meu “cantinho”! Outro gesto de carinho e amizade que eu jamais esquecerei feito por uma pessoa que tem um lugar especial no meu coração...
Bom, o outro presente era mais inesperado ainda: um scrap book feito com um capricho inexplicável que continha toda a minha história no escritório, desde a prova de admissão até a minha primeira petição inicial em miniatura, fotos engraçadíssimas, e por fim, um recadinho de cada pessoa que trabalha lá.
Eu chorei bastante! Já imaginei ganhar um aniversário surpresa ou um presente inesperado, mas isso!? Não...esses presentes desafiaram a minha imaginação e ultrapassaram todos os limites de demonstração de apoio que alguém poderia me transmitir!
Ainda não consegui agradecer e acho que nunca vou, mas eles não podem imaginar o efeito daquele presente na minha vida. Saí de lá a pessoa mais feliz do mundo!
Confesso que gosto muito de escrever aqui e não costumo ficar muito abalada, pois já contei e recontei tudo inúmeras vezes, mas olhar para esse quadro e ver todas essas pessoas tão queridas me olhando sorrindo e me desejando VIDA, me faz escorrer lágrimas de emoção.
E quanta emoção!
Encontrei meu namorado e fomos passar a noite em um hotel maravilhoso, presente dado por outra pessoa especial, mas essa...merece um espaço muito grande nesse blog! Obrigada V.B.!!!
Como eu já disse antes, a sensação era de estar me despedindo do mundo, da vida. Ficamos conversando, passeamos pelas ruas, tomamos sopa e eu estava tentando conter a emoção.
Chegou de fato o último dia! Estava com os nervos à flor da pele e a dúvida que não saía da cabeça! Após tantas notícias ruins, será que viria uma boa!? Mas eu estava há 5 meses me decepcionando com os resultados e as expectativas...será que era a hora  da surpresa!? Será que essa história merece um final feliz!? Será que a vida ia me dar uma chance!?
Não sabia...mas de uma coisa eu tinha certeza! Tinha MUITA gente orando e pedindo por mim nas mais diversas crenças e religiões, em vários cantos desse Mundo.
Será que essa corrente poderia mudar o rumo desta história!?